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sábado, 9 de abril de 2011

O porte de arma no Brasil. É necessário? (O Massacre em Realengo)

Presenciando estes últimos acontecimentos trágicos no colégio do bairro do Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro, veio-me a lembrança um antigo tema polêmico, que, porém eu já tinha dado como democraticamente decidido, vale a pena trazer à tona novamente.



No dia 23 de outubro de 2005, a sociedade brasileira pode optar em um referendo sobre o porte de armas no Brasil. A pergunta era: "você é a favor da proibição do comércio de armas e munição no Brasil?", e, o resultado foi que Segundo o Tribunal Superior Eleitoral votaram pelo "não" 59.109.265 eleitores (63,94%) e pelo "sim" 33.333.045 (36,06%) tendo como  índice de abstenção 21,85% do sufrágio. (26.666.791 eleitores).


Pressenti naquele momento, um retrocesso nos avanços que o país estava caminhando naquela época . Precisávamos nos livrar das armas de fogo no país, resquícios do coronelismo, milícias, ditadura, e demais associações criminosas que faziam questão de portar em sua cintura, o famoso “trêis oitão”.

Ludibriada por uma campanha midiática, na época liderada pelo Deputado Federal Alberto Fraga do extinto (e corrupto) PFL e hoje DEM (também corrupto, o partido do dinheiro do panetone, do mensalão do DF ) , o país resolveu optar pelo NÃO à proibição. Na época o deputado líder da famosa “Frente Parlamentar pelo Direito à Legítima Defesa”.

Várias declarações foram dadas pelos parlamentares da “bancada das armas” dentre elas, uma que me chamou a atenção foi a do senador, na época do PSDB, José Jorge. Ele dizia que:  “A população preferiu o 'não' por umas séries de razões bastante fortes". Segundo ele, o índice de criminalidade era enorme e o desarmamento iria desarmar a população por um lado e não teria nenhum efeito nos bandidos, que assaltam e matam. Ele acrescentou que o resultado refletia uma desconfiança da população com a política de segurança do Governo Lula. José Jorge disse que é necessário os políticos reverem a atual política de segurança pública.
http://www.incorreto.com.br
Um dos movimentos a favor do porte no Brasil, chega a ser hipócrita, emite nota de luto, mas logo abaixo em um banner vende um coldre parecido com o que o psicopata usou para matar as crianças.

Ora! Tempos depois foi visto que políticas públicas foram sim implementadas, como por exemplo as UPPs no próprio Rio de Janeiro, e, não houve necessidade armar a população. De muito foi de se estranhar a pressa em se votar e a forma de se propagar este referendo pela bancada das armas.

Na verdade minha gente, essa bancada das armas é toda patrocinada pelos grandes empresários fabricantes de armamentos, indústrias que financiam campanhas e partidos. Logo então, alguns políticos, se comprometem em defendê-los.
No ponto de vista político. é uma visão altamente liberal em que tira o dever do estado de se garantir a segurança do cidadão e, maquia este dever  “liberando” o direito do cidadão de portar a arma.



Nos EUA, uma páis onde já houve grandes massacres como este e que o porte é liberado na maioria deles, os homicidas conseguiram as armas em casa. Se aqui no Brasil onde o porte ainda nem está totalmente regulamentado já presenciamos este novo tipo de fenômeno maléfico, digno da brutalidade humana, dirá quando o porte for liberado. Quando poderemos prever que estas situações poderão ocorrer? Como poderemos identificar possíveis psicopatas portando armas?  O porte de arma no Brasil. É necessário?

Antes de defender os interesses das indústrias armamentícias, estes senhores da guerra que estão no parlamento deveriam pensar na vida das pessoas .

Meu sincero pesar pela vida das crianças, e que Deus conforte a família de todos que passaram por aquela tormenta. Prezemos pela vida acima de tudo.

sábado, 2 de abril de 2011

Faces podres da sociedade - Jair Bolsonaro o reacionário




Pudemos acompanhar nesta semana as declarações de impacto que o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) fez, declarações que demonstram com clareza uma visão sectarista que ainda persiste nas mentes de alguns acéfalos políticos da nossa sociedade. Como sou curioso. fui pesquisar na Internet a respeito da vida de tal político, e é de se assustar como estes tipos de pessoas ainda têm espaço na representividade democrática do povo brasileiro no congresso nacional.




O deputado Bolsonaro foi militar oficial da força aérea e integrou a academia durante o período da ditadura militar (Agulhas Negras - turma de 1977), viveu o auge do militarismo no país, logo então se percebe sua formação intelectual de caráter estribado, hierárquica e fascista, coisa inconcebível no país atual que vivemos. Naquela época enquanto o povo era torturado para ficar calado, homens como o tal deputado desfilavam impetuosos pelo país se exibindo como se fossem oficiais da Gestapo ou das SS de Hitler, impondo à população medo e pavor através do terrorismo de estado.

O deputado tem uma “ficha” nada limpa quando se trata de manifestar suas declarações em relação ao modo de pensar a sociedade e defende com unhas e dentes o regime que por décadas arruinou nosso país.

  • Em 11 de novembro de 2003 chamou a deputada do PT Mária do Rosária de “vagabunda” em plena sessão do congresso nacional por discordar de uma idéia em relação a maioridade penal. Ele defende a redução da maioridade para 16 anos. (Prendam a tudo e a tudos!)

  • Foi contra a política de cotas raciais nas universidades públicas, o deputado apresentou um projeto de lei complementar na Câmara dos Deputados, propondo o estabelecimento de cotas para deputados negros e pardos. Bolsonaro admitiu em seguida que, se o projeto fosse à votação, seria contra ele. (Fez chacota com matéria, achando que o congresso é brincadeira.)

  • Estas más influencias espalham-se por sua prole, recentemente seu filho, o vereador da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, foi o único a votar contra no projeto de lei que concedeu a meia-passagem em ônibus a estudantes universitários cotistas e do ProUni somente mediante apresentação da carteirinha da UNE. (Provavelmente nunca pegou ônibus pra ir pra escola.)
http://familiabolsonaro.blogspot.com/2011/03/apos-aprovacao-do-projeto-de-lei-73910.html
  • Em 2008 votou contra um projeto de lei que visava ampliar o uso de armas não-letais. (Condenando pra ele tem que ser morto! Dirá os que "sumiram" na época da ditadura)

  • É defensor da idéia de que o Brasil construa uma bomba atômica para fins militares


  • Destratou um indígena Satere-Mawe em uma audiência na Câmara dos Deputados, que tratava sobre a questão indígena em Roraima.

Declaração:

É um índio que está a soldo aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.

(Demonstra uma visão elitista e de desrespeito com lideranças de outras partes do país e ainda mais se tratando de minorias.)

  • Mandou um “FODAM-SE” bem grande para um grupo que protestava pacificamente para a revisão da Lei da Anistia, para que a caixa de pandora do regime militar seja aberta e os que cometeram crimes de tortura naquela época sejam julgados. Assim como aconteceu na Argentina. No vídeo ele declara que o "erro foi torturar e não matar!" (Sem comentários...)





  • E a mais recente como todos já sabem esta última no programa CQC demonstrando racismo e depois duvidosamente tentando se redimir, dizendo que achava que se tratava de um comentário a respeito de um homossexual. Ora! Afinal no Brasil racismo é crime, homofobia não, excelente estratégia do deputado pra se sair da saia justa.(Que nojo!)




Cuidado amigos, ainda existe este tipo de gente no nosso país, não podemos compactuar com este tipo de liderança, é um retrocesso e uma vergonha nacional!

domingo, 20 de março de 2011

140 anos - Comuna de Paris



Este post é em homenagem a coragem daqueles que resistiram e lutaram há 140 anos atrás, pela primeira vez, em uma insurreição popular de caráter socialista, se opondo a opressão e ao entreguismo de submissão.

Conquistas importantíssimas que perduram até hoje e surgiram na comuna de Paris:
  • Primeira vez que se propos uma jornada de 8 horas de trabalho.
  • Igualdade entre os sexos no trabalho.
  • Casamento gratuito.
  • Separação entre estado e igreja.
  • Educação gratuita, de sexo misto e também noturna.

Viva a tomada do poder pelo povo.




A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante à invasão alemã.

A história moderna registra algumas experiências de regimes comunais, impostos como afirmação revolucionária da autonomia da cidade. A mais importante delas - a Comuna de Paris - veio no bojo da insurreição popular de 18 de março de 1871. Durante a guerra franco-prussiana, as províncias francesas elegeram para a Assembléia Nacional uma maioria de deputados monarquistas francamente favorável à capitulação ante a Prússia. A população de Paris, no entanto, opunha-se a essa política. Thiers, elevado à chefia do Gabinete conservador, tentou esmagar os insurretos. Estes, porém, com o apoio da Guarda Nacional, derrotaram as forças legalistas, obrigando os membros do governo a abandonar precipitadamente a capital francesa, onde o comitê central da Guarda Nacional passou a exercer sua autoridade. A Comuna de Paris - considerada a primeira República Proletária da história - adotou uma política de caráter socialista, baseada nos princípios da Primeira Internacional.

O poder comunal manteve-se durante cerca de 40 dias. Seu esmagamento revestiu-se de extrema crueldade. De acordo com a Barsa mais de 20.000 communards foram executados pelas forças de Thiers.



O governo durou oficialmente de 26 de março a 28 de maio, enfrentando não só o invasor alemão como também tropas francesas, pois a Comuna era um movimento de revolta ante o armistício assinado pelo governo nacional (transferido para Versalhes) após a derrota na Guerra Franco-Prussiana. Os alemães tiveram ainda que libertar militares franceses feitos prisioneiros de guerra, para auxiliar na tomada de Paris.

O governo oficial, agora instalado em Versalhes e sob o comando de Thiers, fez a paz com a Alemanha para que tivesse tempo de esmagar a Comuna de Paris. Como acordado entre os dois países, a Alemanha libertou prisioneiros de guerra para compor as forças que o exército francês usaria contra a Comuna. Esta possuía menos de quinze mil milicianos defendendo a cidade contra o exército de cem mil soldados sob o comando de Versalhes.

Assim como durante o período da comuna, em sua queda os revolucionários destruíram os símbolos do Império francês - prédios administrativos e palácios - e executaram reféns, em sua maioria clérigos, militares e juízes. Na perspectiva dos communards derrubar a velha ordem e tudo que com ela tinha vínculo era preciso para que novas instituições pudessem florescer.

Ao todo a Comuna de Paris executou cem pessoas e matou outras novecentas na defesa da cidade. As tropas de Thiers, por outro lado executaram vinte mil pessoas, número que somado às baixas em combate provavelmente alcançou a cifra dos oitenta mil mortos. Quarenta mil pessoas foram presas, e muitas delas foram torturadas e executadas sem qualquer comprovação de que fossem de fato membros da Comuna. As execuções só pararam por medo de que a quantidade imensa de cadáveres pudesse causar uma epidemia de doenças.

A Comuna é considerada por grupos políticos revolucionários posteriores (anarquistas, comunistas, situacionistas, etc.) como a primeira experiência moderna de um governo verdadeiramente popular.Um extraordinário acontecimento histórico resultante da iniciativa de grupos revolucionários e do espontaneísmo político das massas, em meio à circunstâncias dramáticas de uma guerra perdida (Franco-Prussiana) e de uma guerra civil em curso.

domingo, 24 de outubro de 2010

Dez falsos motivos para não votar na Dilma - Por Jorge Furtado, cineasta



Achei este texto interessante do famoso cineasta Jorge Furtado* e reflete minhas opiniões comparativas dos falsos argumentos levantados pela direita conservadore de porque não votar em Dilma.


Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes:

1. “Alternância no poder é bom”.
Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.
Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”(?).
Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.


4. “Dilma não tem experiência”.
Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista” (foi contra os assassinos).

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano” (mentira).

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política” (ridículo).

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista - no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC - foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC” (mais ridículo ainda).
Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa” (mentira, a imprensa que o censura).
Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.
Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

FATOS MUITO IMPORTANTES:

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: "Não aceito o raciocínio do nós contra eles", e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

*Um dos mais respeitados cineastas brasileiros, Jorge Alberto Furtado, 51 anos, trabalhou como repórter, apresentador, editor, roteirista e produtor. Já realizou mais de 30 trabalhos como roteirista/diretor e recebeu 13 premiações dentre os quais, o Prêmio Cinema Brasil, em 2003, de melhor diretor e de melhor roteiro original do longa O homem que copiava.